Após 51 dias internada, Maria Zilma volta para casa: "Eu venci a Covid"

 Após 51 dias lutando pela vida, a diretora de escola aposentada Maria Zilma Corrêa Dornelas, 66 anos, ganhou uma nova data de aniversário nesta quinta-feira, 11 de fevereiro. Diagnosticada com Covid-19 no final de dezembro, ela ficou 34 dias internada na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital Unimed Araçatuba e mais 15 dias em leito de isolamento. Hoje, com a alta hospitalar, ela volta para a casa com a certeza de que ganhou uma nova chance, uma nova vida.

"Eu sou um milagre de Deus. Tive uma forma muito grave da doença e os médicos disseram que, nestes casos, 90% morrem. Graças a Deus, às orações que recebi, aos médicos que cuidaram de mim e à equipe do hospital, eu estou aqui, pronta para recomeçar", afirmou Maria Zilma, por telefone, à reportagem do Regional Press.

Conforme ela, mais de 10 mil mulheres se revezavam em oração por sua recuperação, que passou por altos e baixos em mais de 50 dias de internação. "Estou viva porque é a vontade de Deus mesmo", diz, emocionada.

Maria Zilma foi diagnosticada com Covid-19 no dia 19 de dezembro e, devido a complicações em seu quadro clínico, precisou ser internada, em 22 de dezembro. Dois dias depois, teve de ser intubada e levada à UTI, na véspera de Natal.

Foram dias de angústia e sofrimento para a família, que só recebia notícias da mãe pelos funcionários do hospital. "Como ela ficou na UTI, eles ligavam uma vez por dia para falar como ela estava", conta a filha Laís Corrêa Dornelas, 40 anos. Depois do trigésimo dia de internação, a família conseguiu fazer uma ligação por vídeo e ver a mãe, ainda que a distância.

Os dias no hospital foram difíceis, conta Maria Zilma. Ela precisou passar por uma traqueostomia, procedimento que consiste na abertura de um orifício no pescoço, indicado para pacientes com dificuldade na respiração por vias áereas e comum em casos de intubação prolongada, como foi o caso dela.

Passado o período de intubação, a preocupação de Maria Zilma era com a mãe, de 90 anos, e a irmã, que também tiveram Covid-19. As duas, no entanto, se recuperaram e estão curadas da doença.

Guillain-Barré

Vencida a primeira etapa, outra batalha viria pela frente. A diretora de escola aposentada desenvolveu a Síndrome de Guillain-Barré, doença do sistema nervoso (neuropatia) adquirida, provavelmente de caráter autoimune, que causa fraqueza muscular progressiva.

Após a descoberta da síndrome, os médicos acreditavam que ela teria de ficar mais 45 dias na UTI, pois ficou paralisada do pescoço para baixo. No entanto, sua recuperação, mais uma vez, surpreendeu a ciência, e ela foi para o quarto 15 dias depois.

Ela ainda não consegue andar, mas já mexe os braços e as pernas, fica em pé com ajuda e fala normalmente. Agora, vai fazer fisioterapia para voltar a andar e a ser independente.

"Não sei se sou tão merecedora desta graça", diz Maria Zilma, que foi presidente do Comdica (Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente) de Araçatuba, por muitos anos, e é membro da pastoral da Sobriedade da Paróquia Santana, além de fazer parte do Rotary.

Sua saída do hospital foi bastante emocionada comemorada, com bexigas e aplausos da equipe do hospital. Familiares e amigos foram recepcioná-la com bexigas e cartazes. Um deles dizia: "Zilma, você é o nosso milagre! Amamos você".

Por: Alessandra Nogueira/Regional Press 
Araçatuba Acontece 
12/02/2021




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