Educação: Mães reclamam da falta de cuidadores para crianças especiais em escolas municipais

Mães de alunos com transtorno do espectro do autista (TEA) que estudam em escolas da rede municipal de ensino de Araçatuba reclamam da falta de cuidadores para seus filhos. Elas alegam que as crianças precisam deste profissional para auxiliá-las no processo de aprendizagem e que, sem eles, o desenvolvimento escolar dos pequenos acaba sendo prejudicado.
No caso da dona de casa Ana Paula Araújo Bacelar, 26 anos, a preocupação é ainda maior, porque seu filho, de três anos de idade, já sofreu convulsão e ela teme enviá-lo à escola sem que tenha um cuidador para ficar com o menino, que estuda na Emeb Julieta Arruda Campos, no Nossa Senhora Aparecida.

Por isso, desde o dia 15 de junho, o garoto não vai à escola. As férias escolares foram no período de 10 de julho a 29 de julho e, mesmo com a volta às aulas, a mãe achou melhor não arriscar e prefere que o filho fique em casa, sob seus cuidados, do que ficar sem um cuidador na escola.
“Ele já desmaiou na creche, por isso não pode ficar sozinho de jeito nenhum. Tenho medo de que algo aconteça com ela, por isso, prefiro deixá-lo em casa”, disse.
O problema, segundo a mãe, é que o garoto não quer mais sair de casa, depois de tanto tempo sem ir à escola. “Percebi que a parte social dele está sendo comprometida, porque ele não quer fazer mais nada”, conta. O garoto frequenta a Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) duas vezes por semana.

REMANEJAMENTO
A professora Cássia Panini da Silva, 37 anos, enfrenta problema semelhante. Seu filho, de sete anos, também é autista e, antes das férias, o contrato com a cuidadora que ficava com o garoto venceu. Ele estuda na Emeb Fausto Perri, no Alvorada.
Depois de reclamar na Secretaria da Educação, a escola remanejou uma funcionária para cuidar dele, mas ela tem outras atribuições. “Quando meu filho chega, ela está em horário de almoço e ele fica mais de uma hora sozinho na sala de aula”, reclama.
Ela conta, ainda, que precisa buscar o filho meia hora antes do término das aulas, porque a funcionária que cuida dele precisa ficar no portão para receber os alunos que têm atividades no Cemfica.
“Ele precisa de alguém para ajudá-lo com o conteúdo o tempo todo, não é justo ter de vir embora mais cedo e perder parte da aula porque não tem professor assistente”, afirma. “Esta funcionária que foi remanejada é um quebra-galho, porque o certo é ter alguém com ele o tempo inteiro”, complementa.
Outra mãe que pediu para ter a identidade preservada tem uma filha de seis anos na Emeb Euza Neuza, no Hilda Mandarino, e enfrenta os mesmos transtornos. Ela conta que chegou a deixar a menina em casa, entre maio e junho, quando a escola ficou sem cuidadora.
“Tive medo de algo acontecesse com ela. Depois que eu fui ao Ministério Público, colocaram uma profissional que cuida de uma menina cadeirante para ficar com a minha filha também, mas ela tem que se desdobrar para dar conta das duas”, conta.
Ela relata que não é a primeira vez que a menina fica sem cuidadora e que ela precisa de ajuda para o seu desenvolvimento escolar. “Ela não consegue aprender sozinha, precisa de alguém para apoiá-la e incentivá-la”, argumenta.

OUTRO LADO
A Secretaria Municipal de Educação informou, por meio de nota, que a rede conta hoje com 164 cuidadores/apoios pedagógicos para alunos com necessidades especiais.
“No caso da criança da Emeb Julieta, conforme apurado, a contratação já ocorreu, porém a família optou por aguardar um cuidador do sexto feminino”, afirmou.
Nos demais casos, segundo o município, as crianças possuíam cuidadores, mas os contratos venceram. “A lacuna no prazo de contratações ocorreu em virtude da reformulação da sistemática de seleção através do CIEE, com vistas à maior transparência dos processos. Todos os trâmites burocráticos já foram finalizados e a contratação encontra-se em andamento, devendo ser concluída nos próximos dias”, diz a nota da Secretaria de Educação.
O órgão informa, ainda, que, tanto legalmente quanto pedagogicamente, os cuidadores podem ser compartilhados. “Nos momentos de ausência do cuidador individualizado, conforme o grau de deficiência, as escolas se organizam com os demais cuidadores e profissionais, para assegurar o acompanhamento das crianças”, finaliza.

Por: Alessandra Nogueira/,Regional Press
Foto: Regional
Araçatuba Acontece
08/08/2019


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