Hospital Central começa a fazer os atendimentos de oftalmologia pelo SUS

Antes do meio dia os pacientes começaram a chegar no Hospital Central para a pré-consulta das cirurgias que serão submetidos pelo SUS já a partir da semana que vem. A ansiedade marcava o semblante de cada um, e a esperança de poder voltar a enxergar normalmente ressurgiu com o novo convênio firmado entre a Prefeitura de Araçatuba, o SUS e Hospital Central, que passa a ser referência para 40 municípios da região.
O responsável pelo Centro Oftalmológico de Alta Complexidade do Hospital Central, o médico oftalmologista Fabrício Teno Braga, explica que este convênio representa um ganho muito grande para a cidade e é uma forma de devolver à sociedade o que ela necessita, com uma excelente qualidade e de forma digna.
Nesta segunda-feira o médico realizou a triagem nos primeiros 30 pacientes que já passarão por cirurgia de catarata na próxima semana. Após a triagem eles já foram encaminhados para realização de exame cardiológico que antecede as cirurgias, tudo no Hospital Central.
O médico cardiologista e diretor do Hospital Central, Evaldo Sanchez, explicou que é motivo de alegria e satisfação ver a inauguração do Centro Oftalmológico, este novo e moderno setor do Hospital que recebeu investimento de R$ 2 milhões e abre as portas para servir a população menos assistida, que depende do SUS, e principalmente para atender um setor que tem a maior demanda reprimida, sem contar que a maioria dos pacientes estão há muito tempo na fila de espera muitas vezes até perdendo completamente a visão.
Exemplo deste drama é o aposentado Gervásio Abel da Silva, de 74 anos, que lembra exatamente uma das últimas imagens que conseguiu ver antes de ter a visão comprometida pela catarata. “Fui perdendo a visão aos poucos. Eu percebia porque sempre que olhava para a antena de casa, cada dia era mais difícil de enxergar. Uma das últimas coisas que vi já com muita dificuldade foi a derrota do Brasil na Copa”, lembra.
O aposentado não está enxergando mais nada, além de vultos desfocados. Ele já tinha ido atrás de atendimento particular e agendado para o final desta semana um exame de ultrassom, o qual pagaria R$ 600, para depois tentar uma cirurgia de forma mais rápida, mesmo sem condições financeiras. O aposentado já não aguentava a espera para ter um atendimento.
Na semana passada ele recebeu um telefonema avisando que nesta segunda-feira já iria passar pela pré-consulta para realização da cirurgia. “Estou muito feliz, espero que consiga resolver meu problema e volte a enxergar”, disse ele, que por causa do comprometimento da visão, está morando de favor na casa da ex-mulher e conta com apoio de parentes quando precisa sair de casa.
Um dos casos que mais chamou a atenção foi da pensionista Dirce Vissani da Silva, de 75 anos. Ela disse que desde 2005, ou seja, há 13 anos, enxerga com dificuldade e enfrenta uma dificuldade maior ainda de conseguir tratamento para o seu problema na visão, que é catarata. Ela recebeu telefonema avisando sobre a consulta e disse que sempre acreditou que um dia voltaria a enxergar.
Chegou duas horas antes do horário marcado e estava impressionada com a estrutura do Hospital onde passaria pelo atendimento e pela cirurgia. “Eu liguei para o meu filho, que mora fora, para contar que estava em um hospital no centro da cidade e já iria passar por atendimento para fazer a cirurgia”.
A dona de casa Márcia Antônio Laureto perdeu a carteira de habilitação porque não conseguiu ser aprovada no exame oftalmológico devido o ao seu problema de catarata. Ela disse que depende da moto para uma série de coisas e agora está com a mobilidade restrita por conta da falta da CHN (Carteira Nacional de Habilitação). Márcia afirma que está confiante e que graças ao convênio entre o SUS e Hospital Central, por intermédio da prefeitura, terá seu problema resolvido.
O diretor do Hospital enfatiza a importância de convênios como este, que envolvem o SUS, via Governo Federal, um Hospital particular e esforços conjuntos de políticos locais. No caso deste convênio, todos os pacientes precisam passar pelas unidades de saúde dos municípios para fazer a triagem inicial. Na sequência a Secretaria Municipal de Saúde de Araçatuba faz o cronograma e encaminhamento para o atendimento.

Por: Fabio Shiz/ Regional Press
Araçatuba Acontece
26/11/2018




 




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